quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Educação


EDUCAÇÃO

Quando a Pedagogia não tem importância

Diz a Lei que só pode lecionar no Ensino Fundamental I e II e no Maternal, pessoas com o Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mas, em alguns lugares deste país isto é ignorado. Uma professora chegou a dizer que não importa a formação,o que importa é saber “ensinar”, será? Mais acontece que não é bem assim; para ocupar essa função especifica, o professor tem que ser formado e preparado para lecionar na educação infantil. Porém, acontece ao contrario, para alguns basta que o docente seja “mocinha,bonita, alegre e que goste de criança. – Será que isso é tudo?. Segundo o artigo 62, da LDB. 9.394/96, “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior,em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades,admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, oferecida em nível médio, na modalidade normal.”
É lamentável que vemos hoje no ensino fundamental e maternal, pessoas lecionando para crianças, com apenas o Ensino Médio, completo, incompleto e até gente que estuda na modalidade EJA, cursando apenas a 8ª série. É um absurdo e uma afronta a Educação brasileira. O governo junto com o Parecer CNE/CEB 04/2000, estabeleceu que todas as instituições de Educação Infantil qualquer que seja sua caracterização, tinha até 2007 para que todos os professores possuíssem, pelo menos, o curso normal de nível médio. Ainda de acordo com o Documento do MEC, que trata da Política Nacional de Educação Infantil, advoga que: os professores e outros profissionais que atuam neste nível de ensino exercem um papel sócioeducativo, devendo, portanto, receberem a qualificação necessária ao desempenho de suas funções. E então, não é qualquer um que pode ir para uma sala de aula só porque gosta de crianças. Além disso, o CNE/CP nº. 1 de 15 de maio de 2006, estabelece que esses profissionais necessitam possuir os conhecimentos Filosóficos, Históricos, Antropológicos, Psicológicos, Ambiental, Ecológico, Lingüístico, Sociológico, Político, Econômico e Cultural. Será que uma pessoa que está cursando o ensino médio na modalidade EJA, tem todos estes conhecimentos? O prazo passou agora para 2016, até lá milhares de pequeninos serão“ alfabetizados” por pessoas que estão estudando na EJA. Pessoas estas que estão em sala de aula por politicagem, por apadrinhamento político. Como o governo quer um país civilizado e melhor, se ele mesmo está permitindo que “ analfabetos alfabetizem” nossas crianças? Alguns ignoram a formação em Pedagogia e acha que isso não tem valor algum, mas afinal, para que serve a Pedagogia? A Pedagogia nada mais é do que uma reflexão teórica e prática a partir de práticas educativas. O didata alemão Schmied- Kowarzik, chamou de “ de ciência da e para a educação, teoria e prática da educação”. Já o francês Jean Houssaye, descreve a pedagogia, como forma de buscar unir a teoria e a prática a partir de sua própria ação. É nesta produção,segundo ele, especifica da relação teoria-prática em educação que a Pedagogia tem sua origem, se cria, se inventa e se renova. Então, é isso a Pedagogia é uma ciência investigativa e renovadora que a todo momento busca unir a teoria a prática. Somente os mais desinformados não sabem disso. Nesta perspectiva, o papel do educador requer o domínio de conhecimentos que lhes possibilite serem autores de sua própria prática, que são: autonomia pessoal intelectual. Negrine afirma que para atuar na educação infantil, é necessário que o profissional tenha ampla compreensão das teorias que tratam do desenvolvimento humano. Do mesmo modo, o profissional da infância deve ser alguém preocupado com a sua prática, um pesquisador de si próprio, co-construtor do conhecimento – seu e das crianças – criando situações interessantes e desafiadoras, questionando-se constantemente acerca dos seus atos.
Para termos uma educação de qualidade e que promova a igualdade entre os povos, precisamos que nossas crianças sejam alfabetizadas por profissionais da área, do contrário, estaremos errando cada vez mais. Porque não podemos permitir que uma criança viva em mundo que se prepara para o século 21 e freqüente uma escola do século 18.

Por: Reginaldo Francisco de Oliveira, Pedagogo

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